quarta-feira, 2 de julho de 2014

















Olá, pessoal !!!
Dando continuidade ao assunto anterior, abordaremos sobre os exames de proteínas séricas, nesta semana enfatizarei sua determinação no soro sanguíneo.  Espero que seja de grande contribuição para o conhecimento de todos e uma ótima semana.

DETERMINAÇÃO DAS PROTEÍNAS TOTAIS SÉRICAS
Paciente: Não deve ingerir dieta rica em gorduras durante 8 horas antes do teste. Suspender as medicações que interferem nos níveis das proteínas séricas.

Amostra: Soro sem hemólise e não lipêmico. A amostra pode ser refrigerada por até uma semana.

Interferentes: Resultados falsamente elevados: bromossulfaleína, clofibrato, contrastes radiológicos, corticoesteróides, corticotropina, dextrano, heparina, insulina, somatropina, tireotropina e tolbutamida. Resultados falsamente reduzidos: anticoncepcionais orais, dextrano, íon-amônio, líquidos intravenosos excessivos contendo glicose, pirazinamida e salicilatos.

Métodos: Historicamente o método de referência para a determinação das proteínas totais no soro sanguíneo é o método de Kjeldahl. Este método não é empregado rotineiramente no laboratório clínico devido a sua complexidade.

Refractometria: Os métodos que empregam a medida do índice de refração avaliam as proteínas totais no soro, plasma, urina e LCR. Estão baseados na determinação refratométrica dos sólidos totais nos líquidos antes e depois da remoção das proteínas. Estes métodos são influenciados por variações da temperatura, relação albumina/ globulinas, azotemia, hiperglicemia, hiperbilirrubinemia e, particularmente, hiperlipemia.

Biureto: É o mais usado atualmente, pois além de preciso e exato é de fácil execução, sendo, portanto, bastante empregado para a automação. Biureto é o nome dado ao produto de decomposição da ureia pelo calor. Quando o biureto é tratado com íons cúpricos em solução alcalina, desenvolve cor violeta. As proteínas são determinadas por reação idêntica ao do biureto. O complexo colorido é de composição desconhecida, sendo
formado entre os íons cúpricos e duas ou mais ligações peptídicas. A intensidade do produto colorido é proporcional ao número de ligações peptídicas presentes nas proteínas. O reativo seco DT Vitros baseia -se nesta reação.

Valores de referência para proteínas totais no soro sanguíneo: Adultos ambulatoriais 6 a 7,8 g/dL

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BURTIS, C.A, ASHWOOD, E.R. TIEZ. Fundamentos de Química Clínica. 4 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.



www.ufrgs.br/gcoeb/dosagemproteina/

terça-feira, 24 de junho de 2014





Olá, pessoal!!!!

Essa semana iremos aprofundar nossos conhecimentos a cerca das proteínas séricas. Iniciaremos comentando sobre o metabolismo proteico e suas disfunções , após, falaremos dos exames que se pode ser solicitado pelo médico para avaliar a condição salubre do paciente. Então, aproveitem e uma ótima semana.

PROTEÍNAS TOTAIS
       O número de proteínas distintas dentro de uma célula humana é estimado entre 3.000 a 5.000. Mais de 300 proteínas diferentes foram identificadas somente no plasma sanguíneo. Muitas delas apresentam papéis bioquímicos específicos sendo que suas concentrações podem ser afetadas por processos patológicos e, portanto, são determinadas na investigação de várias doenças. Apesar do grande número de proteínas presentes no plasma sanguíneo, somente algumas são medidas rotineiramente. As mais medidas são as presentes no sangue, urina, líquido cefalorraquidiano (LCR), líquido amniótico, peritonial ou pleural, saliva e fezes. As funções das proteínas plasmáticas incluem transporte, manutenção da pressão oncótica, tamponamento de alterações do pH, imunidade humoral, atividade enzimática, coagulação e resposta de fase aguda.

METABOLISMO DAS PROTEÍNAS PLASMÁTICAS

A concentração das proteínas plasmáticas é determinada por três fatores principais: velocidade de síntese, velocidade do catabolismo e o volume de líquido no qual as proteínas estão distribuídas.
Síntese. A maioria das proteínas plasmáticas são sintetizadas no fígado enquanto algumas são produzidas em outros locais, por exemplo, imunoglobulinas pelos linfócitos, apoproteínas pelos enterócitos e b2 -microglobulina (proteína da superfície celular) amplamente distribuída no corpo. Aproximadamente 25 g das proteínas plasmáticas são sintetizadas e secretadas cada dia, pois não há armazenamento intracelular.
Distribuição. Normalmente, a concentração de proteínas totais no plasma está ao redor de 7,0 g/dL e, aproximadamente, 250 g de proteínas são encontradas no compartimento vascular de um homem adulto de 70 kg. A água atravessa mais livremente as paredes capilares que as proteínas e, portanto, a concentração das proteínas no espaço vascular é afetada pela distribuição líquida.
Catabolismo. As proteínas plasmáticas são degradadas através do corpo. Os aminoácidos liberados ficam disponíveis para a síntese de proteínas celulares.

  
HIPERPROTEINEMIA

Desidratação. A desidratação causa o aumento (relativo) de todas as frações proteicas na mesma proporção. Pode ser promovida pela inadequada ingestão de líquidos ou perda excessiva de água (vômito, diarreia intensa, enfermidade de Addison ou acidose diabética).
Enfermidades monoclonais. Mieloma múltiplo, macroglobulinemia de Waldenström e doença da cadeia pesada. Estas condições promovem a elevação de imunoglobulinas, causando o aumento nos níveis das proteínas totais séricas.
Enfermidades policlonais crônicas. Cirrose hepática, hepatite ativa crônica, sarcoidose, lúpus eritematoso sistêmico e infecção bacteriana crônica.

HIPOPROTEINEMIA

Aumento do volume plasmático. Hemodiluição por intoxicação hídrica, também como na cirrose quando a ascite está presente.
Perda renal proteínas. Síndrome nefrótica e glomerulonefrite crônica.
Perda de proteínas pela pele. Queimaduras severas.
Gota. Aumento da uricemia.
Distúrbios da síntese proteica. A síntese é sensível ao suprimento de aminoácidos e, as sim, a desnutrição, má absorção, dietas pobres em proteínas, enfermidade hepática não-virótica severa promovem hipoproteinemia. A insuficiência da função hepatocelular reduz a síntese na enfermidade hepática crônica.
Outras causas. Analbuminemia, colite ulcerativa, dermatite esfoliativa, doença de Crohn, doença de Hodgkin, edema, enteropatia perdedora de proteínas, hemorragia grave, hepatite infecciosa, hipertensão essencial, hipertireoidismo, hipogamaglobulinemia, insuficiência cardíaca congestiva, kwashiorkor, leucemia, má absorção e úlcera péptica.


Na próxima semana daremos continuidade a este assunto, abordando os exames de proteínas totais séricas no sangue e na urina.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BURTIS, C.A, ASHWOOD, E.R. TIEZ. Fundamentos de Química Clínica. 4 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.

www.medicina.ufmg.br/rmmg/index.php/rmmg/article/viewFile/10/9

www.laboratoriovidda.com.br/informativos/...nos...proteinas-totais/14

domingo, 15 de junho de 2014


MARCADORES TUMORAIS - ÚLTIMA PARTE





Olá, pessoal !!!!


                               Vamos dá início aos trabalhos desta semana, continuando com o assunto “Marcadores tumorais” em sua última edição. Espero que tenha ajudado vocês assim como a mim. Uma ótima semana a todos.


LDH (desidrogenase lática): É uma enzima que se expressa nos tecidos cardíaco e muscular esquelético. Esta enzima não tem muito valor diagnóstico, mas relaciona-se com o volume da neoplasia, podendo apresentar implicações prognósticas muito importantes, em especial nos pacientes com diagnóstico de linfoma não-Hodgkin recente e na neoplasia de próstata. Nestes pacientes, altos níveis de LDH anteriores ao tratamento comprovam consistentemente ser um fator de risco adverso, e refletem presumivelmente a taxa de crescimento e o volume do tumor. Pacientes com alto nível de LDH com idade avançada ou com mau desempenho apresentam menos de 50% de probabilidade de remissão durável com o tratamento padrão. Esses pacientes são considerados candidatos a estudos clínicos de quimioterapia mais agressiva. Deve-se ter cautela com o uso deste marcador, pois pode estar elevado também em patologias músculoesqueléticas, infarto do miocárdio, leucemias e embolia pulmonar.

K-ras: Genes mutados da família ras são os oncogenes mais comumente encontrados nas neoplasias malignas humanas. Rodenhuis e Slebos demonstraram que os tumores de pulmão contendo mutação em K-ras eram mais agressivos, os pacientes apresentavam tempo livre de doença significativo menor e menor sobrevida quando comparados com os sem mutação em K-ras. No trabalho de Slebos et al., foi verificado que mutações pontuais em K-ras são importante fator de
prognóstico para determinar o tempo livre de doença e sobrevida, após variáveis como estadiamento da doença, tamanho do tumor e grau de diferenciação terem sido levadas em consideração.

NSE (Enolase Neurônio-Específica): Descrita inicialmente, em 1965, por Moore e McGregor como enzima catalisadora da via glicolítica anaeróbia, a NSE se encontra distribuída em todos os tecidos dos mamíferos. Em 1978, Schmechel et al, antevendo o futuro, especularam sobre a utilidade da enolase neurônio-específica para o diagnóstico e o tratamento dos tumores neuroendócrinos. A determinação sérica da NSE parece ser um instrumento valioso para o diagnóstico de carcinoma de pulmão de pequenas células, combinando aceitável sensibilidade com alto grau de especificidade. Observa-se sua presença consistentemente mais elevada na doença extensa do que na localizada. Além disso, a NSE possui sensibilidade fortemente correlacionada com o estágio da doença. Outro aspecto concernente à NSE seria sua aplicação como forma de monitor terapêutico nos pacientes em curso quimioterápico, em que seus valores séricos tendem a subir ou baixar de acordo com a resposta à terapia empregada e até antever recidiva da doença
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PSA (antígeno prostático específico): O marcador tumoral de maior utilidade clínica desenvolvido até o momento é o PSA. Este é secretado no lúmen dos ductos prostáticos, estando presente em grandes concentrações no líquido seminal (aproximadamente 2mg/mL). Aparentemente, teria a função de liquefazer o coágulo seminal. Muitos estudos demonstraram que o PSA é útil para o diagnóstico do câncer de próstata. Em geral, o valor preditivo positivo do PSA é de 20% em pacientes com valores ligeiramente elevados (entre 4,0ng/mL e 10,0ng/mL), e de 60% em pacientes com valores de PSA superiores a 10ng/mL. A utilização do PSA é otimizada quando combinada ao exame de toque retal. Em estudos que investigaram o uso combinado do PSA e do exame de toque retal, observou-se que 18% dos tumores não teriam sido diagnosticados se o exame de toque retal não tivesse sido realizado, e que 45% dos tumores teriam passado despercebidos se o PSA não tivesse sido feito. Estudos mostraram que o ultra-som transretal pouco acrescenta ao PSA e ao exame de toque retal, quando estes dois são usados conjuntamente para o
diagnóstico, devendo ser solicitado somente em caso de alteração de um dos dois exames. A medida do PSA é fundamental para o estadiamento do paciente com carcinoma de próstata. Vários estudos mostraram que cerca de 80% dos pacientes com concentração de PSA menor do que 4ng/mL possuem tumor restrito à próstata. Por outro lado, metade dos pacientes com PSA maior do que 10ng/mL apresentam extensão extra-capsular, e a maioria dos pacientes com PSA superior a 50ng/mL apresenta metástases para linfonodos pélvicos. Entretanto, exceto para valores extremos, o PSA não é suficientemente preciso para, de maneira isolada, estadiar o paciente. Espera-se que um paciente submetido à prostatectomia radical apresente PSA próximo a zero (até 0,2ng/mL) após o procedimento, já que toda a próstata teria sido removida. Vários estudos demonstraram que elevações dos níveis de PSA após a prostatectomia ocorrem meses a anos antes dos sinais clínicos de recorrência, indicando persistência da doença. Ao contrário do que ocorre após a prostatectomia radical, pós-radioterapia, níveis detectáveis de PSA podem se originar de tecido prostático normal residual. Espera-se que a queda do PSA seja lenta e gradual, ocorrendo o nadir de meses até três anos após a radioterapia. Como a radioterapia provoca redução do volume prostático após a irradiação, o valor considerado como normal após a radioterapia é bem menor do que o padrão (4ng/mL), e muitos autores o definem como em torno de 1ng/mL. Sabe-se que, com o aumento da idade, ocorrem modificações no epitélio prostático que acarretam um aumento da absorção do PSA para a corrente sangüínea. Portanto, os valores de PSA variam bastante nas diferentes faixas etárias9. Gomes10 cita como valor de referência 2,5ng/mL para homens até 50 anos e 5,0ng/mL para aqueles com idade superior a 50 anos. Vários estudos têm sugerido a alteração do ponto de corte do PSA de 4,0ng/mL para 2,5ng/mL, indicando biópsia prostática nos pacientes que apresentem valores superiores. Isto porque uma parcela significativa dos homens que apresentam PSA sérico inicial entre 2,6ng/mL e 4,0ng/mL desenvolverá PSA superior a 4,0ng/mL no exame de seguimento, durante os próximos quatro anos. Então, embora o ponto de corte consensual para a identificação de biópsia seja 4,0ng/mL, estudos recentes sugerem que, em pacientes jovens, com próstata pequena e sem prostatite, a biópsia prostática seja considerada com valores de PSA acima de 2,5ng/mL.

p53: O gene supressor de tumor p53, localizado no cromossomo 17, codifica uma fosfoproteína denominada proteína p53, que desempenha um importante papel no controle do ciclo celular e previne o aparecimento de câncer. A proteína p53 tem o papel de bloquear a divisão celular em células que sofreram injúrias no seu DNA, dando tempo para a sua reparação. A perda da função desse gene pode estar relacionada tanto à iniciação quanto à progressão tumoral. Para demonstrar sua importância, cita-se o fato de que mutações na proteína p53 são encontradas em cerca de 50% de todos os cânceres humanos, ou mais de 50 tipos de tumores

b_2-Microglobulina: É uma glicoproteína de baixo peso molecular, presente em todas as células nucleadas. Seu valor de referência no soro é 2,0μg/mL para pessoas até 60 anos e 2,6μg/mL após os 60 anos, sendo que pacientes com b_2-Microglobulina maior do que 6,0μg/mL têm alto risco e pequena sobrevida. É indicado o uso deste marcador tumoral em linfomas não-Hodgkin, sendo índice de prognóstico independente; no mieloma múltiplo relaciona-se diretamente com a massa tumoral total e, isoladamente, é o mais importante fator de prognóstico.













REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BURTIS, C.A, ASHWOOD, E.R. TIEZ. Fundamentos de Química Clínica. 4 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.

Schmechel D, Marangos PJ, Brightman M. Neuronespecific enolase is a molecular marker for the peripheral and central neuroendocrine cells. Nature. 1978;276:834-36

Slebos RJ, Kibbelaar RE, Dalesco O, Kooistra A, Stam J, Heijer CJ, et al. K-ras oncogene activation as a prognostic marker in adenocarcionoma of the lung. N Engl J Med. 1990;323:561-65


domingo, 1 de junho de 2014









Olá, pessoal !!! Estamos dando continuidade ao assunto abordado na semana anterior. E, por motivos de extensão do conteúdo, na próxima semana daremos  continuação a este assunto.


Ø  Cromogranina A: Também denominada secretogranina I, constitui-se num grupo de proteínas presentes em vários tecidos neuroendócrinos. É um marcador tumoral com utilidade em neoplasias endócrinas, tipo feocromocitoma, síndrome carcinóide, carcinoma medular da tireóide, adenoma hipofisário, carcinoma de células ilhotas do pâncreas e na neoplasia endócrina múltipla. O intervalo de referência, no soro, é de 10ng/mL a 50ng/mL. Este marcador possui utilidade também no carcinoma pulmonar de células pequenas.

Ø  BTA (antígeno tumoral da bexiga): É uma proteína expressa por várias células tumorais, mas por poucas células normais. Durante o desenvolvimento de tumores uroteliais da bexiga, essas moléculas são liberadas na urina. Sua sensibilidade varia de 32% a 100% e a especificidade de 40% a 96%. Os resultados falsos positivos relacionam-se à litíase urinária, processos irritativos da bexiga e sonda vesical de demora. Devido ao seu baixo valor preditivo positivo, sua utilização para o rastreamento populacional é discutível. No entanto, foi aprovado para uso clínico pela Food and Drug Administration (FDA) norte-americana.

Ø  Telomerase: É uma ribonucleoproteína que se hiperexpressa em um grande número de neoplasias malignas. Sua atividade se encontra aumentada nos casos de câncer de bexiga, podendo ser quantificada em amostras de urina ou de tecido. Esta proteína é pouco expressada pelas células eucarióticas normais. A presença da telomerase independe do estágio e do grau do tumor vesical. Sua sensibilidade e especificidade para diagnóstico de tumores uroteliais da bexiga está, respectivamente, entre 70% e 93% e 60% e 99%.

Ø  NMP 22 (proteína da matriz nuclear): É uma proteína envolvida no mecanismo de regulação do ciclo celular. Pacientes com recidiva tumoral e com doença invasiva terão níveis elevados deste marcador. Sua sensibilidade encontra-se entre 60% e 86%. Foi recentemente aprovada para uso clínico pela FDA norte-americana.

Ø  Cyfra 21.1: É um antígeno formado por um fragmento da citoqueratina 19 encontrado no soro. Na população, o nível de Cyfra 21.1 geralmente é inferior a 3,3ng/mL, por isso seu valor de referência é 3,5ng/mL. Este marcador tem alta sensibilidade para carcinoma de células escamosas (entre 38% e 79%, de acordo com o estádio), e é um fator de prognóstico ruim no carcinoma de células escamosas do pulmão. Encontra-se elevado também em carcinoma pulmonar de pequenas células, câncer de bexiga, de cérvice e de cabeça e pescoço. Aumenta inespecificamente em algumas patologias benignas pulmonares, gastrintestinais, ginecológicas, urológicas e de mama, podendo gerar falso-positivos.

Ø  PAP (Fosfatase Ácida Prostática): Foi o primeiro marcador tumoral a ser utilizado no câncer de próstata. Este marcador possui limitações, pois costuma apresentar-se elevado apenas nos estágios mais avançados do câncer de próstata, não sendo de muita utilidade nos estágios iniciais. Pode estar também elevado em outras situações, como na doença de Paget, osteoporose, hiperparatireoidismo e hiperplasia prostática. Outra limitação é o aparecimento deste marcador em outras neoplasias. Após o surgimento do PSA (antígeno prostático específico) como marcador para o câncer de próstata, o uso da PAP caiu em desuso.

Ø  CA 72.4: É também denominado TAG-72. Este marcador tumoral tem elevada especificidade para cancro, mas sem sensibilidade de órgão. No momento do diagnóstico, cada órgão possui uma respectiva porcentagem de sensibilidade, sendo: 55% para câncer de cólon, 50% para câncer de estômago, 45% para pâncreas e trato biliar e 63% para carcinoma mucinoso de ovário. O valor de referência para o CA 72.4 é 6U/mL. Em doenças benignas, surge em menos de 10% e em menos de 30% de outras neoplasias metastáticas que não digestivas ou ovarianas. Este marcador tumoral é utilizado no controle de remissão e recidiva de carcinomas de trato gastrintestinal (gástrico, cólon, pâncreas e trato biliar). Cinqüenta por cento dos pacientes com câncer gástrico apresentam níveis elevados de CA 72.4. Este marcador é mais sensível do que o CEA e o CA 19.9 para tal patologia.


Ø  Beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana): É uma glicoproteínacomposta por duas subunidades: alfa-partilhada por outros hormônios hipofisários; e beta - específica com 24-34 Kd e com meia-vida de 18-36 horas. Mais especificamente a fração beta (beta-HCG) é utilizada para diagnóstico, monitorização e prognóstico de pacientes com tumores de células germinativas (testículo e ovário). Todos os pacientes com coriocarcinoma apresentarão elevação da beta-HCG, contra apenas 40% a 60% dos pacientes com carcinoma embrionário. Cinco a 10% dos pacientes com seminomas puros podem apresentar níveis de beta-HCG detectáveis. Esta glicoproteína também é usada como teste de gravidez, pois detecta gravidez normal após sete dias de implantação.


Ø  CA 125: O antígeno do câncer 125 é formado por uma glicoproteína de alto peso molecular. Atualmente, sua principal aplicação é permitir o seguimento da resposta bioquímica ao tratamento e predizer a recaída em casos de câncer epitelial de ovário11,15. Seu valor de referência é 35U/mL, podendo ser considerado 65U/mL quando o objetivo é uma maior especificidade. A sensibilidade para diagnóstico de câncer de ovário é de 80% a 85% no tipo epitelial, variando de acordo com o estadiamento, sendo 50% no estádio I, 90% no estádio II, 92% e 94% nos estádios III e IV, respectivamente16. Um estudo mostrou que o CA 125 apresentou sensibilidade de 94% para predizer a progressão da doença após quimioterapia, nos casos em que ocorreu aumento superior a duas vezes o valor do nadir. A elevação do CA 125 pode ocorrer de dois a 12 meses antes de qualquer evidência clínica de recorrência. O CA 125 também parece ser útil em tumores ovarianos "borderline", podendo ser utilizado no acompanhamento e na detecção precoce de recaída em uma pequena parcela de pacientes com esses tumores. Este marcador tem sido utilizado como parte integrante do rastreamento do câncer de ovário. Habitualmente, 75% dos cânceres de ovário apresentam-se como doença extra-ovariana, devido à frequente ausência de sintomas nas fases iniciais. Todavia, a prática do rastreamento para câncer de ovário encontra uma série de limitações. O CA 125 se eleva em várias situações clínicas (cirrose, cistos de ovário, endometriose, hepatite e pancreatite), tem sensibilidade de apenas 50% no estádio clínico I e é de alto custo, se utilizado em toda população. Além disso, o câncer de ovário é relativamente pouco prevalente. Por conseguinte, a realização de rastreamento para o câncer de ovário é considerada experimental. O CA 125 tem sido estudado em outros tipos de tumores, além do câncer de ovário. No carcinoma gástrico, o CA 125, juntamente com antígeno carcinoembrionário (CEA), pode predizer mau prognóstico e maior potencial de agressividade tumoral. Na doença trofoblástica gestacional, a elevação persistente após quimioterapia pode indicar tumoração residual21. O CA 125 pode ter relação com o prognóstico de neoplasia endometrial e sua elevação sérica pode predizer recorrência. Estudaram o uso do CA 125 em crianças portadoras de linfoma não-Hodgkin, tendo sido observada elevação significativa deste marcador. Estes autores observaram também que a redução dos níveis séricos pós-quimioterapia tem correspondência com a obtenção de remissão completa. Assim, o CA 125 é um marcador com importante aplicabilidade clínica no manejo dos tumores de ovário no dia-a-dia e é de uso promissor na abordagem de linfomas e de outros tumores.

Ø  CA 15.3: O antígeno do câncer 15.3 é uma glicoproteína de 300-400Kd produzida pelas células epiteliais glandulares. Seu valor normal de referência é 25U/mL. Apenas 1,3%da população sadia tem CA 15.3 elevado. O CA 15.3 é o marcador tumoral, por excelência, do câncer de mama, pois é o mais sensível e específico, sendo superior ao CEA3. Estudos indicam que a elevação do CA 15.3 varia de acordo com o estadiamento da paciente, sendo de 5% a 30% no estádio I, 15% a 50% no estádio II, 60% a 70% no estádio III, e de 65% a 90% no estádio IV. A sensibilidade varia de acordo com a massa tumoral e o estadiamento clínico, sendo de 88% a 96% na doença disseminada. Na fase inicial, apenas 23% dos casos apresentam aumento deste marcador. Aumento superior a 25% na concentração do CA 15.3 correlaciona-se com a progressão da doença em 80% a 90% dos casos, e a diminuição em sua concentração está associada à regressão em 70% a 80%3. Além disso, níveis séricos muito elevados estão associados à pior sobrevida. A grande utilização do CA 15.3 é para diagnóstico precoce de recidiva, precedendo os sinais clínicos em até 13 meses26. Recomenda-se a realização de dosagens seriadas de CA 15.3 no pré-tratamento, 2-4 semanas após tratamento cirúrgico e/ou início da quimioterapia e repetição a cada 3-6 meses. Níveis elevados de CA 15.3 foram observados em várias outras neoplasias, tais como: câncer de ovário, pulmão, colo uterino, hepatocarcinoma e linfomas. Níveis elevados de CA 15.3 são também observados em várias outras doenças, tais como: hepatite crônica, tuberculose, sarcoidose e lúpus eritematoso sistêmico. Assim, devido à baixa especificidade e sensibilidade, o CA 15.3 não é recomendado para diagnóstico. A ASCO considera que, atualmente, não há dados suficientes para recomendar o CA 15.3 para rastreamento, diagnóstico, estadiamento ou acompanhamento após tratamento primário do câncer de mama.

Ø  CA 50: O antígeno do câncer 50 é uma glicoproteína. Este marcador é expresso pela maioria dos carcinomas epiteliais (câncer gastrintestinal e de pâncreas). Possui sensibilidade semelhante ao CA 19.9, não sendo indicado o uso simultâneo deles. Também pode ser expresso por doenças benignas hepáticas e das vias biliares e pancreatite. Oitenta a 97% dos pacientes com câncer pancreático apresentam níveis elevados de CA 50, e nos estádios mais avançados do câncer colorretal também ficam bem elevados.

Ø  Calcitonina: A calcitonina é um hormônio peptídico secretado pelas células C parafoliculares na tireóide. Sua secreção é estimulada pelo cálcio. É um hormônio da tireóide cuja função fisiológica é antagonizar o hormônio paratireoidiano. Sua principal função é a inibição da reabsorção óssea pela regulação do número e atividade de osteoblastos. Seu valor de referência é 19pg/mL para homens, e 14pg/mL para mulheres. Sua maior utilidade como marcador tumoral é para o seguimento dos pacientes com carcinoma medular da tireóide. É utilizado no diagnóstico precoce em doentes de risco, possuindo sensibilidade de 90% para detecção deste tumor em indivíduos com história familiar e/ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo II, com relevância na sobrevida pós-tiroidectomia precoce. É interessante mencionar que alguns pacientes têm valores normais de calcitonina basal, mas em testes de provocação com cálcio e/ou pentagastrina se tornam positivos. Este hormônio pode se tornar elevado em pacientes com uma taxa elevada de reposição óssea associada a metástases esqueléticas. A concentração de calcitonina no organismo também pode estar elevada por outras doenças, como: anemia perniciosa, insuficiência renal crônica, cirrose alcoólica, hiperparatireoidismo, doença de Paget do osso e síndrome de Zollinger-Ellison, podendo estas serem causas de falso-positivos de carcinoma medular da tireóide.

Ø  Catepsina D: A catepsina D é uma endoprotease lisossomal ácida, encontrada em praticamente todas as células dos mamíferos, sendo um marcador tumoral muito estudado em câncer de mama. Acredita-se que o papel da catepsina D na carcinogênese é estar associado à estimulação da síntese de DNA e mitose durante a regeneração tecidual e, devido ao seu poder proteolítico, facilitar a disseminação tumoral, por digestão de proteoglicanos da matriz intersticial e membrana basal. Estas evidências levaram à elaboração da hipótese de que a secreção de catepsina D pelas células tumorais facilitaria a iniciação e progressão do processo metastático. Segundo Nakopoulou, a catepsina D é uma proteína claramente associada à invasividade tumoral e à presença de metástases para linfonodos axilares. Alguns estudos têm demonstrado que altos níveis de catepsina D associam-se com pior prognóstico de câncer de mama, e a maioria dos autores não encontrou associação entre o alto grau histológico e a positividade para catepsina D. A associação entre a expressão aumentada de catepsina D e a sobrevida livre de doença é controversa. Para essa associação, encontraram significância estatística.

Ø  CEA (antígeno carcinoembrionário): É o protótipo do marcador tumoral que tem sido extensivamente estudado desde sua identificação, em 1965. Originalmente foi descrito como presente em adenocarcinoma de cólon e reto e em cólon fetal, mas ausente em tecido colônico adulto normal. Atualmente, sabe-se que o CEA é produzido pelas células da mucosa gastrintestinal, tem peso molecular de aproximadamente 200Kd e faz parte da família das imunoglobulinas11. Seu valor de referência é 3,5ng/mL em não-fumantes e 7ng/mL em fumantes. Na presença de neoplasia maligna, níveis elevados de CEA são detectados em 9% dos teratomas de testículo, e em aproximadamente 85% dos casos de carcinoma colorretal metastático48. Níveis elevados de CEA são também encontrados em outras neoplasias malignas, como por exemplo, pulmão (52% a 77%), pâncreas (61% a 68%), trato gastrintestinal (40% a 60%), trato biliar (80%), tireóide (50% a 70%), cérvice (42% a 50%) e mama (30% a 50%). A sensibilidade do CEA oscila em torno de 40% a 47% e a especificidade, 90% a 95% para câncer colorretal; e 80% a 84% e 95% a 100% para câncer recorrente. Elevações do CEA também foram relatadas em distúrbios benignos, como: cirrose alcoólica, doença de Crohn, doenças hepáticas, doenças intestinais, doença fibrocística da mama, bronquite, tabagismo e insuficiência renal51,52. Por conseguinte, os ensaios do CEA carecem de especificidade e de sensibilidade necessárias para a detecção de cânceres no estágio inicial. Os níveis pré-operatórios do CEA possuem algum significado para o prognóstico, visto que o nível de elevação está relacionado com a carga corporal do tumor. Em pacientes com câncer de cólon CEA-positivos, a presença de níveis elevados de CEA, dentro de seis semanas, após terapia, indica a existência de doenças residuais. A ocorrência de recidiva é indicada por um nível crescente de CEA, sendo a doença clinicamente detectável quase sempre precedida de um aumento do marcador tumoral. Os níveis séricos do CEA também são úteis para monitorizar o tratamento de câncer demama metastático. A ASCO recomenda a dosagem do CEA a cada dois a três meses durante a quimioterapia no câncer colorretal.
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Ø  C-erbB-2: O oncogene C-erbB-2 pertence a uma família de receptores de membrana cujo domínio extracelular pode ser identificado, dosado em cultura ou liberado na circulação. Este é amplificado e hiperexpresso em 20% a 40% dos carcinomas primários de mama57, por isso seu papel nesta neoplasia tem sido extensivamente investigado; entretanto os resultados permanecem controversos. A relação entre o C-erbB-2 e o prognóstico do câncer de mama tem sido extensivamente examinada, com considerável atenção à recidiva tumoral e à sobrevida de pacientes. Vários autores apontam que a expressão aumentada de C-erbB-2 é um indicador de prognóstico ruim. De acordo com alguns investigadores, as pacientes cujos tumores exibem expressão aumentada de C-erbB-2 apresentam uma sobrevida livre de doença menor e também sobrevida geral menor. Entretanto outros autores, na análise multivariada, falharam em encontrar uma associação significativa entre a sobrevida geral, a sobrevida livre de doença e o C-erbB-2. A associação da expressão aumentada de C-erbB-2 com a sobrevida geral e a sobrevida livre da doença, seria devido ao aumento da atividade metastática das células tumorais que o expressam. O gene C-erbB-2 também encontra-se superexpressado em outras neoplasias humanas, incluindo cerca de um terço dos carcinomas de pulmão tipo não-pequenas células. No adenocarcinoma de pulmão, o produto protéico do C-erbB-2 é observado em 28% a 38% dos casos, e associado a pior prognóstico. Sua expressão no sangue periférico se correlaciona com a carga tumoral, encontrando-se níveis mais altos nos tumores estádios III e IV. Pode, porém, ser detectado antes mesmo do diagnóstico clínico, estando elevado precocemente no processo de carcinogênese. O C-erbB-2 apresenta também importância no tratamento de pacientes com câncer de mama: pacientes cujos tumores exibem expressão aumentada desse marcador podem ter maior benefício com altas doses de quimioterapia.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BURTIS, C.A ., ASHWOOD, E.R. TIETZ. Fundamentos de Química Clínica. 4 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998

http://www.inca.gov.br/rbc/n_53/v03/pdf/revisao1.pdf

http://www.cito.med.br/?menu=artigos&idcat=8&idmenu=75&idartigos=565


terça-feira, 27 de maio de 2014

Marcadores tumorais - Parte I







Olá, pessoal!!! Essa semana vamos utilizar uma didática diferente, pois iremos abordar uma assunto extenso: Marcadores tumorais. Para facilitar será dividido em duas partes e iremos falar das principais numa perspectiva clínica.

    Os marcadores tumorais são substâncias encontradas no sangue, urina ou tecidos de pessoas com certos tipos de câncer. A maioria dos marcadores tumorais são proteínas ou pedaços de proteínas. Eles são produzidos pelo próprio tumor ou pelo organismo como resposta à presença do câncer. 


Como os Marcadores tumorais são medidos? 

A maior parte dos marcadores tumorais é medida por exame no sangue ou na urina.
Coleta-se uma pequena dosagem de sangue ou urina, para ser submetida a testes laboratoriais que medem a quantidade dessas substâncias (marcadores tumorais) encontradas na amostra. 
Alguns marcadores tumorais são medidos diretamente de uma amostra de tumor retirada durante uma biópsia.
 Esses marcadores tumorais dão informações aos médicos sobre o tumor e como ele poderá reagir aos
diferentes tipos de tratamentos. Os médicos utilizam marcadores tumorais para auxiliá-los no: 

Rastreamento do Câncer 
Alguns marcadores são utilizados para triagem de pessoas com alto risco de desenvolver um câncer. 
Eles agem como um "sinal de alerta", apontando aos médicos que novos exames podem ser necessários.
Esses marcadores tumorais podem ajudar os médicos a detectarem o câncer em estágio bem precoce,
quando há melhor chance de cura. 


Diagnóstico de Câncer

Os marcadores tumorais não são utilizados para diagnosticar o câncer. O Câncer somente poderá 


ser diagnosticado por meio de uma biópsia. Entretanto, os níveis do marcador tumoral na época
do diagnostico poderão auxiliar o médico a prever a evolução da doença. Os médicos utilizam
essa informação para guiar a escolha do tratamento.


Monitorização do tratamento de câncer

Esse é o uso mais comum dos marcadores tumorais. Costumam ser regularmente dosados durante 
o tratamento, com o objetivo de avaliar se ele está funcionando. Isso é chamado de exame seriado.
Os médicos comparam esses resultados com o nível do marcador tumoral no início do tratamento 
(chamado de nível basal ou pré-tratamento). Se o câncer estiver respondendo ao tratamento,
os níveis do marcador tumoral quase sempre diminuem. Se aumentarem, isso poderá ser um sinal de 
que o câncer não está respondendo ao tratamento atual.

Detectar o reaparecimento do câncer 

Exames de seguimento realizados regularmente podem ajudar o médico a detectar um possível retorno 
ou recorrência do câncer antes de aparecer no raio X, na tomografia computadorizada ou no exame físico.
Quanto mais rápido a recorrência é detectada, mais fácil e eficaz será seu tratamento.


Marcadores de tumor

AFP (alfa-fetoproteína)

Normalmente, a AFP (alfa-fetoproteína) é uma proteína produzida apenas pelo bebê em sua vida intrauterina.

É sintetizada no fígado, saco vitelino e  feto, com funções de transporte plasmático e de manutenção da
pressão oncótica, desaparecendo no primeiro ano de vida.Na vida adulta, seus níveis séricos encontram-se
entre 5ng/mL e 15ng/mL, possui vida média de 5-7 dias. Níveis acima de 500ng/mL são altamente sugestivos
de malignidade, e valores acima 1000ng/mL são indicativos de presença de neoplasia. 
Esta proteína pode estar elevada em pacientes portadores de tumores gastrointestinais, hepatite e cirrose. 
Algumas células cancerígenas, incluindo células de câncer de fígado, poderão retornar sua forma prévia fetal 
e começar a produzir a alfa-fetoproteína novamente. Testes seriados de alfa-fetoproteína são 
utilizados para medir o quão bem um tratamento para câncer de fígado está indo. 



MCA (antígeno mucóide associado ao carcinoma)

O MCA é uma glicoproteína, utilizado para monitorizar o carcinoma mamário. Seu valor de referência
é 11U/mL. Não há indicação para seu uso no diagnóstico de doença locorregional
(extensão local e regional do câncer). Possui especificidade de 87%. Existem outras situações nas quais este marcador pode se encontrar elevado, como por exemplo, em doenças benignas de mama (15%), tumores de ovário, de colo uterino, endométrio e próstata.

Na próxima semana continuaremos com este assunto. Até breve e uma ótima semana.

REFERÊNCIAS:

BURTIS, C.A ., ASHWOOD, E.R. TIETZ. Fundamentos de Química Clínica. 4 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998

http://www.inca.gov.br/rbc/n_53/v03/pdf/revisao1.pdf

http://www.cito.med.br/?menu=artigos&idcat=8&idmenu=75&idartigos=565


domingo, 11 de maio de 2014

Olá, pessoal!  Sejam bem-vindos!
Toda semana estaremos aqui, discutindo sobre exames clínicos relacionados com as proteínas marcadoras. Por este motivo, abordarei em cada postagem um exame e sua importância no dia a dia da prática médica. Espero que seja produtivo e acrescentador em nossos conhecimentos.



PROTEÍNAS MARCADORAS
O corpo humano contém milhares de proteínas diferentes. Algumas são elementos estruturais de células ou tecidos e outras são solúveis, isto é, são moléculas livres que se movem nos líquidos intra e extracelular. As proteínas mais, rotineiramente,  submetidas à avaliação laboratorial são as do sangue, urina, Líquido Cefalorraquidiano (LCR), líquido amniótico, saliva, fezes e líquidos peritoneais ou pleurais. A sua função são variadas, importantes e diversas. Citaremos algumas:
Ø  Regulam o metabolismo, agindo como hormônios protéicos
Ø  Protegem contra infecções, atuando como anticorpos
Ø  Solubilizam lipídeos
Ø  Transporta oxigênio
Ø  Controla a hemostasia através dos fatores de coagulação
Ø  Mantêm a pressão oncótica do plasma
PROTEÍNA C REATIVA
Substância presente no soro de pacientes com doença aguda, e capaz de se ligar ao polissacarídeo C da parede celular do Streptococcus pneumoniae. A PCR é um marcador não-específico que eleva durante a resposta imune para a infecção, lesão tecidual ou necrose celular associada com infarto ou malignidade. Sintetizada no fígado, A PCR está envolvida com o sistema auto-imune e atua na ativação do complemento, fagocitose e liberação das linfocinas.
Importância clínica:       
A PCR liga-se não apenas aos polissacarídeos presentes em muitas bactérias, fungos e protozoários parasita, mas também à fosforilcolina, foafatidilcolinas, tais como a lecitina, e polianiontes, como ácidos nucléico. Uma vez formado o complexo, aa PCR torna-se ativador da via clássica do complemento, como: anticorpos, fagocitose e lise das células invasoras. Provavelmente, o seu principal papel seja reconhecer substâncias endógenas potencialmente tóxicas, liberadas por tecidos danificados, ligar-se a elas e detoxicá-las ou removê-las do sangue. Quando os valores estão aumentados pode ter o seguinte significado clínico:
Ø  Infarto do miocárdio
Ø  Traumas
Ø  Infecções (ex: recorrentes no lúpus eritematoso sistêmico)
Ø  Doenças inflamatórias (ex: artrite reumática)
Ø  Cirurgia ou proliferação neoplásica.
Devido as diversas possibilidades diagnósticas, ele não pode ser interpretado sem uma história clínica completa e também com a comparação com outros exames.
Valores de referência: Existe um consenso no qual um valor de PCR acima de 0,5 mg/dL é indicativo da presença de processo inflamatório agudo ou crônico. A determinação laboratorial da PCR como marcador inflamatório indicada em variadas situações clínicas. Nos últimos dez anos, entretanto, a proteína C reativa ganhou mais uma importância ao se tornar um marcador de risco para doença cardiovascular aterosclerótica.
 PRÁTICA MÉDICA E A PROTEÍNA C REATIVA
            A PCR é uma exame de grande valor preventivo e deve ser utilizado na atenção básica de saúde do SUS como dosador de rotina em pacientes com alto risco para doença cardiovascular (diabéticos, hipertensos, dislipidêmicos, fumantes, com história familiar evidente ou com múltiplos fatores de risco) e, como prevenção secundária, em pacientes com doença cardiovascular comprovada. Além disso, a PCR pode ser indicadora para pneumonia comunitária, diminuindo, assim, o índices de internações hospitalares (principalmente em UTI’s) e, consequentemente, haverá mais leitos disponíveis na alta complexidade.


REFERÊNCIAS:
BURTIS, C.A ., ASHWOOD, E.R. TIETZ. Fundamentos de Química Clínica. 4 ed., Rio de Janeiro:  Guanabara Koogan, 1998